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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

CIDADANIA OU LEI DE GERSON?



Ontem, estava eu há mais de vinte minutos em pé no Cartório do 1º Ofício de Notas, na QE 11, Guará I, Brasília, aguardando pacientemente a chamada de minha senha quando ouvi chamarem “senha preferencial 46, guichê 12”. Não era o meu caso, minha senha ainda não é preferencial, mas, nesse momento, vi um rapaz que aparentava não mais do que trinta anos, não mais do que setenta quilos de peso, de calção, tênis e camiseta identificando algum tipo de profissional ligado à educação física, levantar-se e dirigir-se à esquerda, em direção à sala onde ficam os guichês. Não tinha visão para conferir se era ele quem se dirigia ao guichê de número 12, mas, de qualquer forma, não me passou essa idéia pela cabeça, afinal, seria muita cara de pau e, além do mais, tinha certeza de que, se fosse esse o caso, a atendente não aceitaria sua senha sem justificativa.
Alguns minutos depois fui chamado ao guichê 11 para atendimento e, para minha surpresa ao chegar ao meu destino, notei que o tal rapaz tinha acabado de ser atendido no guichê 12, com a senha preferencial. Não pude resistir e perguntei à atendente do guichê 12 porque o referido rapaz havia sido atendido com senha preferencial já que não era idoso, grávido, deficiente físico e não carregava nenhuma criança no colo. Minha maior surpresa veio com a resposta da atendente: “ele apresentou a senha e eu atendi. Você queria que eu expulsasse ele?”.
Depois dessa resposta animadora me dirigi a um dos responsáveis pelo Cartório e relatei o fato, o que não causou a ela (uma das responsáveis) nenhuma estranheza, o que me fez baixar a cabeça, me resignar e ir embora indignado.
Sinceramente, não sei o que é mais triste nessa história: se a falta de competência e profissionalismo da atendente que não dá o devido valor a uma lei que foi criada para favorecer aos que precisam, a atitude da funcionária responsável que, pela expressão não achou nada demais no fato, ou a cara de pau do cidadão que se acha com mais direito do que todos os outros que estavam esperando, no mínimo trinta minutos, para serem atendidos.
Por isso e por outros fatos corriqueiros com os quais convivo no dia a dia, não tenho a ilusão de que no Brasil possamos um dia ter uma classe política séria, incorruptível, trabalhadora e honesta. Afinal, uma das coisas que diferencia o brasileiro de outros povos, o chamado “jeitinho brasileiro”, que faz um cidadão “gersonianamente” querer sempre levar vantagens sobre outro é motivo de orgulho para uma grande parte da população, que, se um dia chegar ao poder, não vai mudar, vai provavelmente, se aproveitar mais, como um bando de sanguessugas sedentas de poder e dinheiro.
Infelizmente, hoje para mim, este é o retrato da grande maioria dos cidadãos brasileiros. Portanto, “A César o que é de César”. Ao Brasil o que toca o povo brasileiro: políticos corruptos, empresários ladrões e um povo que morre vontade de ocupar o lugar de qualquer um deles

Marcos Bassul
Brasília (DF), 24 de fevereiro de 2011.

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