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O PROFESSOR

                        O professor (conto de Marcos Bassul inspirado em um fato real ) A última vez que se meteu no meio de uma multidão não deixou boas lembranças. Foi no estádio do Mineirão, na final do campeonato. Chegou 10 minutos atrasado, o jogo já tinha começbado. Tinha um ingresso para a Geral (era do tempo da Geral, um anel gradeado em torno do campo onde o público assistia jogos em pé, pagando ingresso mais barato). Acima da geral havia arqubancadas e cadeiras, para quem podia pagar um pouco mais (Gonzaguinha imortralizou com muita graça e maestria em "Geraldinos e Arquibaldos"). Depois de muita esfregação e bundalelês conseguiu um lugar para se acomodar e respirou fundo. Uma vez, duas vezes, três vezes, na quarta, ao dar o impulso inicial para puxar o ar, sentiu algo macio cair meio fofo na sua cabeça e se esvaziar, soltando um líquido quente que escorreu pelo seu rosto no momento em que dava início à...

Meu canto

Meu canto Eu canto para aplacar a fome dos intelectos desabrigados para limpar meu corpo da fumaça do carro e do cigarro Eu canto para elevar o nível do sentimento para me impregnar de melodia de notas que voam na companhia do tempo do tempo que passa da noite pra o dia eu canto pra enfrentar a fera indomada, pungente pra me ausentar do tempo presente do sono passado eu canto porque o som é o meu elemento o ar é meu combustível e a minha voz é amiga da palavra que dança Marcos Bassul/2017

Memorial da Formação Profissional (escrito durante o curso de especialização em Linguagens e Códigos)

Tudo começou na escola, da qual, em remotas épocas, não trago muitas lembranças. Lembro sim da primeira professora particular que visitava duas vezes por semana, depois de subir a ladeira do condomínio onde morava em Santa Tereza, no Rio de Janeiro. Não lembro seu nome, nem seu rosto, mas lembro da dedicação e do carinho que me dedicava quando, ainda criança, iniciava meu trajeto acadêmico. Lembro das histórias em quadrinhos, que lia afoitamente, nas quais, em meio a scrash’s, punt’s e sock’s, aprendi a ler. Lembro de algumas poucas referências de onde estudei quando criança, várias escolas, escolas públicas, uniformes, alguns com gravata, calça de linho e sapatos pretos; provas teóricas e trabalhos pesquisados em enciclopédias e recortes de revistas colados em folhas de papel. Lembro dos lápis com borracha na ponta e da felicidade de comprar uma lapiseira e uma caneta tinteiro. Lembro de saber que minha mãe, antes de se casar, era professora. Lembro do primeiro curso de datilografia...

CURTINHAS

Em cortejos fúnebres é muito melhor estar atrás do que na frente. Quem vai na frente ou é o próprio ou é parente.

CURTINHAS

Evolução da educação Primeiro, achamos que o caminho era dar o peixe. Depois, pensamos que não era isso e demos a vara. Descontentes, descobrimos que devíamos mesmo era ensinar a pescar. Então, poluímos o rio e matamos os peixes.

DIA DOS NAMORADOS

MUSAS Resgatando antigas canções que fiz em outros verões me lembrei das várias mulheres que tive com as quais vivenciei momentos alegres e tristes em tempos que trazem saudades em relações de verdade furtivas, fortuitas, ferozes mulheres sadias, vadias, atrozes mulheres gostosas profanas, burguesas tímidas de beleza ardentes de pureza mulheres, com certeza hoje, mulheres anônimas no rumo da minha poesia ontem mulheres confusas mulheres com almas de musas motivos inspiradores de muitos poemas escritos em rebeldia, em êxtase, nostalgia de paixão, de raiva e de alegria mas sempre escritos em agradecimento por me suportar - nem mesmo eu me aguento - e desde sempre me ofertar um pouco de seu momento OBRIGADO! Marcos Bassul - 2013

Três contos de Édipo

          Reproduzo abaixo três contos de Esopo, escritos há mais de vinte e oito séculos, e suas respectivas "moral da história", como era comum nas fábulas da época, que mostram o quanto a homem, com toda sua empáfia e falsa inteligência, continua o mesmo.         TRÊS CONTOS DE ESOPO (Grécia - Cerca de 550 a.C.)     AS MÃOS, OS PÉS E O VENTRE                 Cheios de inveja, os Pés e as Mãos disseram ao Ventre:                 - só você se aproveita dos nossos trabalhos, e não faz outra coisa do que receber nossos ganhos sem ajudar-nos no mínimo que seja. Portanto, escolhe uma destas duas coisas: ou encarregue-se você mesmo da sua manutenção, ou morra de fome.                 Ficou, pois...